Post 4 de 4 – A história empreendedora de José Bonini!

Meu amigo,

Este é o último post da história de empreendedorismo de José Bonini. Caso tenha perdido o fio da meada, clique aqui.

A narrativa abaixo foi extraída do capítulo 13 do livro “Filhos do fogo – Memória Industrial de Sertãozinho – 1896 ~ 1996″ escrito por Geraldo Hasse, contratado para pesquisar e documentar a história industrial de Sertãozinho por conta da comemoração do aniversário de 100 anos da cidade em 1996. A edição foi limitada e única (até onde pude descobrir).

[...] “O primeiro encontro foi no cais de Santos. Dona Izede, do convés do Conte Rosso, localizou o marido, com seu inseparável chapéu, no meio da multidão que dava as boas vindas no cais. Cochichou ao filho:

_ Guarda, Electro, come é belo.

Electro ficou de olho na figura de chapéu. Pensava na promessa da mãe: “Vamos para o Brasil, teu pai é rico, te dará um relógio de ouro”. Desceu do navio, aproximou-se e abraçou as pernas de José Bonini.

_ Papa, te voglio tanto bene.

Bonini, 57 anos, chorou ao conhecer aquele filho criado pelos parentes italianos. Os dois se tornaram grandes companheiros. Tinham grandes histórias para contar um ao outro. Electro, sua vida peralta na Itália. José, sua saga de imigrante afortunado em Sertãozinho.

O ano de 23 foi muito feliz para José Bonini. Além de receber o caçula de volta, ganhou o neto Arnaldo Biagi Bonini, filho de Donato e Amelia Biagi. Em 24 Electro foi internado no colégio salesiano de Campinas, onde teve como colegas Augusto Canesin e Domingo Spinelli. Não gostou. No ano seguinte foi estudar em Batatais, num seminário onde foi colega de Roberto Campos, mais tarde ministro e senador. Professor de matemática e geografia, lecionou cerca de 20 anos em Batatais, onde também foi dentista – formou-se em Ribeirão Preto. Na década de 60, comprou a Associação de Ensino de Ribeirão Preto, embrião da atual Unaerp. Sua vida rolou entre Batatais e Ribeirão Preto. Sertãozinho foi para Electro apenas a cidade que seu pai ajudou a construir e onde passava as férias, sempre ouvindo histórias de homens que fizeram fortuna.

Em 1929, José Bonini havia diversificado, tornara-se muito forte no algodão. Grande intermediário, foi pego pela crise com um grande estoque na mão. Não chegou a perder tudo, ficou com o curtume e com a descaroçadeira de algodão, mas a paradeira dos negócios no início da década de 30 tirou-lhe a antiga capacidade de transacionar com valores e mercadorias. Casimiro Benassi, o sócio nos negócios do algodão em Santos, saiu da sociedade com um curtume em São Paulo.

Apesar de ter perdido parte de sua fortuna, Bonini continuou no centro da vida de Sertãozinho. Uma de suas funções foi a de provedor da Santa Casa. Para ele, pior talvez do que a crise de 29 foi a guerra de 39-45. Cônsul da Itália, a primeira coisa que perdeu, quando o Brasil entrou no conflito, em 1942, foi o telefone, confiscado pelas autoridades. Seu último negócio foi o curtume,  que acabou vendendo para Baudilio Biagi. Com o dinheiro comprou o casarão da rua Washington Luís com Aprigio de Araujo – atual sede da Biblioteca Pública. Deu 20 contos de réis. Nunca soube que, para viabilizar a compra, seu filho Electro Bonini havia entrado lateralmente no negócio, dando, em sigilo, mais cinco contos ao dono da casa.” [...]

Conheço, particularmente, um grande número de pessoas que descendem de José Bonini. Arnaldo Biagi Bonini, neto de José Bonini citado no enredo desta história, casou-se com a irmã de minha avó. Assim como o avô José, Arnaldo teve uma história marcada pelo pioneirismo (desbravou regiões até então consideradas inóspitas), pelo empreendedorismo (abriu fazendas, construiu destilarias e dirigiu grandes empresas industriosas) e pelo senso de comunidade (chegou a ser prefeito de Sertãozinho). Fernando Bonini, filho de Arnaldo, é empresário e empreendedor (possui duas ou três empresas distintas, se não me engano). Daniel, Eduardo e Arthur Bonini, filhos de Fernando e netos de Arnaldo, também possuem e administram negócios familiares. É impressionante, e especialmente muito explícito no caso dos Bonini, como o empreendedorismo é uma característica forte e marcante, que muitas vezes transcende uma vida, sendo passado de geração em geração. As fotos da família incriminam: José, Arnaldo e Arthur (ainda preciso conferir as fotos dos demais) sempre aparecem de chapéu. E o chapéu, meu amigo, sempre foi o melhor companheiro de quem vai sozinho, na frente, a descoberto e com muita galhardia.

Pense nisso!

Um super  beijo,

Arthur Segatto

Post 3 de 4 – A história empreendedora de José Bonini!

Meu amigo,

Este é o terceiro post da história de empreendedorismo de José Bonini. Caso tenha perdido o fio da meada, clique aqui.

A narrativa abaixo foi extraída do capítulo 13 do livro “Filhos do fogo – Memória Industrial de Sertãozinho – 1896 ~ 1996″ escrito por Geraldo Hasse, contratado para pesquisar e documentar a história industrial de Sertãozinho por conta da comemoração do aniversário de 100 anos da cidade em 1996. A edição foi limitada e única (até onde pude descobrir).

[...] “A viagem deu certo, mas a mudança definitiva não se concretizou. O sonho fracassou por causa do início da guerra. No começo de 1914, cerca de três meses depois de chegar à Itália, Izede juntou seus Bonini em Pizza, pegou um navio às pressas em Genova e voltou para o Brasil. Deixou na Itália o caçula, Electro, que havia nascido no dia 19 de dezembro de 1913, a bordo do Tomaso de Savoia, no primeiro trecho (Santos-Rio) da grande viagem para a Itália.

Nascido de sete meses, Electro viveu de teimoso. No navio, à falta de leite materno, mamou numa ama-de-leite. Batizado em Pisa, na mesma pia onde batizaram Galileu Galilei, ficou na Itália pelo leite da ama. E foi adotado pela família de Domenico Bonini, irmão mais velho de José, que já estivera por um tempo em Sertãozinho. Também na família de Domenico e Adele, que tinham cinco filhos, Electro foi o caçula, livre e feliz, um verdadeiro selvagem em Molazzana, onde a vida de campanha era pobre e sacrificada. Electro gostava tanto de sua família italiana que, aos sete anos, escondeu-se no bosque vizinho quando chegou do Brasil um emissário encarregado de levá-lo para Sertãozinho. Bonini por Bonini, Electro escolheu os da Itália. Resistiu também a um segundo emissário. Claro que contava com o apoio velado dos tios e primos, que protegiam seu esconderijo.

Electro só voltou aos nove anos, em 1923, quando foi resgatado pela mãe e trazido para o Brasil. Izede passou seis meses na Itália amansando a pequena fera de Molazzana. Teve a paciência de tentar convencê-lo por bem. Em sua estratégia para recuperar o filho, Izede carregara consigo Ana Maria, a caçula. Deu certo, pelo menos em parte. Electro se apegou à irmãzinha que falava português. Mas não queria saber do Brasil. Um dia, cansada da cabeça dura do menino, Izede trancou-o num quarto e comunicou a decisão final: iriam de volta para o Brasil e ele, Electro, seria colocado a estudar num colégio de padres de Campinas, para deixar de ser besta. Foi o fim da esbórnia de Electro Bonini em terras italianas. Só então Electro Bonini conheceu seu pai. Só então José Bonini conheceu seu último filho varão.” [...]

A história de empreendedorismo de José Bonini continua no próximo post, clique aqui e confira.

Um super  beijo,

Arthur Segatto

Post 2 de 4 – A história empreendedora de José Bonini!

Meu amigo,

Este é o segundo post da história de empreendedorismo de José Bonini. Caso tenha perdido o fio da meada, clique aqui.

A narrativa abaixo foi extraída do capítulo 13 do livro “Filhos do fogo – Memória Industrial de Sertãozinho – 1896 ~ 1996″ escrito por Geraldo Hasse, contratado para pesquisar e documentar a história industrial de Sertãozinho por conta da comemoração do aniversário de 100 anos da cidade em 1996. A edição foi limitada e única (até onde pude descobrir).

[...] “José Bonini costumava contar ao filho caçula Electro quem em 1886 Sertãozinho era um pequeno arraial onde havia uma capela de pau-a-pique, coberta de sapé, e uma dúzia de choças. Recém-chegado, acomodou-se num desses barracos, comprou dois cavalos – um para montaria e outro para carga – e começou a trabalhar como mascate para abastecer os trabalhadores que cortavam as matas vizinhas para plantar café. Ia buscar as mercadorias em Ribeirão Preto, onde todos os dias o trem da Mogiana despejava mais imigrantes. Todos, sem exceção, tinham medo de cobra e de onça. Bonini dizia ao filho que ficara careca de medo de topar com uma onça em suas viagens.

Seu primeiro negócio regular, depois das vendas ambulantes, foi o comércio de carne. Logo no começo Bonini estabeleceu o costume de abater uma rês por semana, em plena praça, junto a uma árvore mais tarde conhecida como “a árvore do Bonini”. Vendia as carnes e dava aos pobres o coração, o fígado e pedaços sem cotação na época. Depois do açougue, criou um curtume. Entre as fazendas Palestina e Macuco comprou suas primeiras terras onde passou a criar algumas cabeças de gado.

Mais do que a agricultura ou a indústria, a vocação de Bonini era o comércio, a prestação de serviços. Com a eletricidade, em 1906, ele se tornou uma figura central na história de Sertãozinho. Deu impulso a oficinas, lojas e residências. E viabilizou alguns negócios próprios, como um cinema (Pathé) e um teatro (Zenith). Rico, emprestava dinheiro, financiava colonos, comprava-lhes a produção, intermediava negócios, exportava, importava – ó, Itália bela, que vontade de voltar, ser o rei do café em Florença. Sonho louco.

Muitos italianos vinham e voltavam depois de um, dois anos. Alguns ficavam aqui o tempo de uma colheita de café. Mas voltar depois de 27 anos, rico… Sonho louco.

Em 1913, José Bonini idealizou a mudança para a Itália. Planejou estabelecer-se em Florença como importador de café brasileiro. Seria a glória. Mas como mudar com uma família tão grande? Casado em 1898 com Izede Gambazzi, teve uma penca de filhos com nomes sonoramente brasileiros: Serafim Brasil, Ilha, Donato Brasil, Sertanina, Valentim Brasil, Létrico (falecido com meses) e Létrica, nascida em 1910. O casal combinou de fazer a mudança em duas etapas. Primeiro, iria ela com as crianças. Depois, ele, que precisava de um tempo para organizar os negócios depois da venda da empresa de eletricidade. Durante os preparativos para a viagem, Izede ficou grávida. Embarcou de barriga grande, contando ganhar o filho logo nas primeiras semanas de nova vida, com o apoio da família Gambazzi em Pisa.” [...]

A história de empreendedorismo de José Bonini continua no próximo post, clique aqui e confira.

Um super  beijo,

Arthur Segatto

Post 1 de 4 – A história empreendedora de José Bonini!

Meu amigo,

Este é o primeiro post da história de empreendedorismo de José Bonini.

A narrativa abaixo foi extraída do capítulo 13 do livro “Filhos do fogo – Memória Industrial de Sertãozinho – 1896 ~ 1996″ escrito por Geraldo Hasse, contratado para pesquisar e documentar a história industrial de Sertãozinho por conta da comemoração do aniversário de 100 anos da cidade em 1996. A edição foi limitada e única (até onde pude descobrir).

[...] “Em 1906 a Empresa de Força e Luz Electrica de Sertãozinho começou a distribuir energia na cidade. A corrente era gerada por duas turbinas instaladas numa represa do córrego Sertãozinho a seis quilômetros da cidade, num lugar chamado Monjolo. Esse serviço inicialmente voltado para iluminação residencial e depois para atividades comerciais e industriais foi um marco na evolução da economia urbana.

Antes da força hidrelétrica, Sertãozinho contava com iluminação de lampeões a querosene desde 1902. Em janeiro de 1905, a prefeitura concedeu autorização para um serviço de força e luz a José de Grecco, que não foi adiante. A concessão foi comprada em março de 1906 por Pedro Pieroni (hoteleiro), Antonio Bianconi (agricultor), José Bonini (comerciante), e Casimiro Benassi (comerciante). Em 1912 o negócio foi vendido por 110 contos de réis para a Empresa de Força e Luz de Ribeirão Preto, presidida por Flavio de Mendonça Uchoa. (As informações deste parágrafo foram tiradas do Arquivo de Clóvis Magon, historiador sertanezino falecido na década de 80).

José Bonini (1866-1954), um dos pioneiros do município, tem uma história digna de romance. Seu nome completo era Adolfo Giuseppe Bonini. Filho de Simone e Matilde Marchini Bonini, pequenos proprietários rurais, nasceu em Molazzana, povoado de 300 habitantes nas montanhas da região de Lucca, no norte da Itália. Como a maioria dos jovens da região, durante o verão José Bonini trabalhava como garçon nos hotéis de Florença, Lucca e outras cidades turísticas do norte.

Foi numa dessas saídas para o trabalho que ele, sem se despedir dos pais, embarcou sozinho num navio que partia de Genova para a América. Desceu em Santos e pegou um trem para Araraquara, onde ouviu dizer que no interior de Ribeirão Preto, ali perto, prosperava uma nova vila. Alguns dias depois José Bonini estava em Sertãozinho. Tinha 20 anos, algum dinheiro no bolso e uma grande vontade de ficar rico.” [...]

A história de empreendedorismo de José Bonini continua no próximo post, clique aqui e confira.

Um super  beijo,

Arthur Segatto

Novos ares!

Meu amigo,

Esta semana, lancei, junto de um grande amigo e investidor, meu primeiro empreendimento imobiliário na cidade de São Carlos, no interior do Estado de São Paulo. Neste piloto, entregaremos seis unidades habitacionais. Posteriormente, tendo alcançado os resultados pretendidos, partiremos para a perpetuação de nossa presença neste novo mercado.

Rumores não confirmados apontam para o surgimento de uma nova incorporadora em São Carlos.

Boa sorte para nós!

Arthur Segatto

Enquetes

Não há enquetes disponíveis no momento.

Assine a Newsletter

Digite seu e-mail:

Distribuído via FeedBurner

Social